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2008-01-08

Baptizar criancinhas? Nao, obrigado.

Nesta altura da minha vida em que muitos dos meus amigos se estao a reproduzir, alargar familia, etc, senti-me inspirado a partilhar o porque de baptizar criancas ser mau.
Fui baptizado, tenho umas fotos engracadas desse dia, e hoje que penso como penso e sei o que sei, acho q os meus pais falharam nesse aspecto da minha educacao. Pq?

Depois de ja ter ouvido (mais que uma vez) de certas pessoas que baptizam, que a razao pela qual o fazem e' pq acham que e' o melhor a fazer, vou acrescentar algo mais do que acrescentei na altura. Na altura respondi que pensar que se esta' absolutamente correcto nesses assuntos e' falta de modestia, mas nao me expliquei bem.

Num post num dos meus blogs favoritos, aparecia um comentario estupido excelente:

«Os pais são livres de dizer muita coisa aos filhos [...] porque necessitam de os educar proporcionando-lhes as melhores condições para o seu desenvolvimento [...]. Os pais têm o direito de educar os filhos de acordo com as suas convicções morais e religiosas, tendo em atenção o ambiente cultural da sociedade em que vivem e como fundamentos o bem estar e a dignidade das crianças.»

Ao qual a resposta perfeita foi:

Os pais “necessitam” de educar os filhos. Obviamente, não é uma necessidade fisiológica. É uma “necessidade” moral. Ou seja, é um dever. O que o [comentador] quer dizer é que os pais têm o dever de zelar pelo desenvolvimento e bem estar das crianças, a bem das crianças. Este dever não é compatível com o direito de educar as crianças como os pais entenderem. Por isso proponho que esse direito não existe. O [comentador] continua a confusão:

«Uma educação religiosa dirigida para crianças [...] debruça-se sobre conceitos como amor, amizade, ajuda ao próximo e deve desenvolver uma atitude de não-violência. Nada disto é errado e tem aspectos muito positivos porque permite que a criança se integre harmoniosamente na sociedade em que vive e adquira valores que são comuns a pessoas que não têm educação religiosa.»

É evidente que os valores comuns a pessoas que não são religiosas podem ser transmitidos sem educação religiosa. Nem é preciso a história de um deus torturado até à morte para ensinar amor, amizade, ajuda ao próximo e não-violência. Até porque a melhor maneira de ensinar crianças é pelo exemplo. É amando-as que elas aprendem a amar, ajudando-as que elas aprendem a ajudar, e a receita para filhos que não sejam violentos é simples. Não lhes batam. O pai que castiga aos tabefes o filho que bateu num colega está, no mínimo, a baralhar a criança com a contradição.

E isto traz-me à conversa que tive ontem. Argumentou o meu amigo que baptizar ou não é apenas uma diferença de crença e, seja como for, não faz mal nenhum à criança. Engana-se. Baptizar a criança como hindu, católica, protestante ou muçulmana difere realmente apenas na crença. Mas deixar que a criança decida quando se sentir capaz de o fazer é fundamentalmente diferente.

E faz mal porque é importante ensinar-lhe que todos têm o direito às suas opiniões. Sem aprender que é legítimo os outros discordarem de nós será difícil amar, ter amigos, integrar-se na sociedade e ser uma pessoa decente. E sem aprender que é legítimo ter uma opinião própria, mesmo que discorde dos outros, será difícil aprender a ser uma pessoa autónoma. Como tudo o resto, as crianças têm que aprender isto pelo exemplo.

Marcar um recém-nascido como pertença de um deus ou de uma igreja é um mau exemplo. As palavras dos pais dirão à criança que tem que respeitar a liberdade de consciência dos outros, mas o exemplo diz-lhe que a liberdade de consciência é treta. As palavras dos pais dirão à criança para aprender a pensar por si e ter as suas opiniões, mas este exemplo diz à criança que as opiniões importantes são fornecidas por alguém com mais autoridade. E quando crescer fará o mesmo aos seus filhos. Vai repetir as mesmas palavras, e dar o mesmo exemplo.

É verdade que há rituais religiosos bem piores que deitar água na cabeça. Admito que a minha oposição a baptizar crianças é uma questão de princípio. Mas são os princípios, estes valores fundamentais, que temos que transmitir aos nossos filhos. Pelo exemplo.

E' por estas e por outras que digo a toda a gente que baptizar os filhos e' foleiro, mau, ma' educacao e falta de respeito (e isto sem referir que no meu tempo vestiram-me um vestido! Sim, saia! Sou um gajo, pa!).
Se nao querem querer que a religiao e' treta, ensinem-lhes pq acham que nao e', mesmo que isso signifique esperar ate' que eles compreendam tais assuntos - respeito! E mesmo que isso tb signifique nao ver a pobre crianca vestidinha de branco na igrejazinha com a familia, por muito emocionante que isso seja para certos pais religiosos. Depois, respeitem a sua vontade, qnd tiverem maturidade, inteligencia e idade para assumirem eles se querem pertencer ao tal deus em que os seus pais acreditam.

Mas no final, se houverem surpresas, vao ter a certeza absoluta que respeitaram as crencas dos vossos filhos, pois ensinaram-lhes a criar as suas, e nao a ter de comprar 'a forca as dos seus pais (ou as de outra pessoa qualquer!). ;)

Teoria do Dia: Baptizar criancas e' errado. Ensina-las dando-lhes que pensar e deixa-las escolher por si: nem por isso.

Afinal nunca ninguem disse que nao se pode ser baptizado aos 20, aos 30 ou aos 300 anos de idade... :D Para que tanta falta de respeito pressa?
NOTA: Fim da seccao de Posts. Para mais teorias, consultem a seccao dos Arquivos onde esta' o restante conteudo do blog organizado cronologicamente, ou, se preferirem, consulta as teorias por categoria na seccao das labels (labels estas, explicadas anteriormente na coluna principal do blog principal tsnacio.blogspot.com).