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2007-10-06

Teorias

Porque um dos meus blogs favoritos publicou um post com o nome "Teorias", achei por bem trazê-lo para aqui. Infelizmente, os leitores mais religiosos devem preparar-se para a "chapadinha na nuca" do costume (aquelas do estilo "tem juízo, pá!"):

Teorias.
from Que Treta! by Ludwig Krippahl

O universo começou com o Big Bang. Deus criou o universo. As espécies evoluíram. Deus criou cada espécie. São teorias. Segundo o leitor X:

«O que acho realmente assombroso é que existam pessoas que sejam capazes de defender essas TEORIAS com cara séria, ao mesmo tempo que classificam as crenças religiosas como superstição [...] Como se acreditar nessas TEORIAS não fosse, acima de tudo, um acto de fé.» (1)

Assombroso não diria. Mas é pena. É pena julgarem que a cosmologia moderna é «Bang!», ou que a biologia se resume a «uns morrem, outros não». Se fosse só isso era mesmo por fé que se preferia estas «teorias» a outras quaisquer. Mas uma teoria científica moderna é muito mais do que isto.

Antigamente, até Galileu, era assim. Segundo Aristóteles as pedras caiem porque são da mesma substância que o chão e o fumo sobe porque é da substância do ar. Newton também enunciou leis como estas. Por exemplo, que um objecto em movimento uniforme permanece em movimento uniforme enquanto não sofrer o efeito de uma força. Mas enquanto em Aristóteles a teoria era aquelas afirmações, as leis de Newton são um mero resumo de um modelo muito mais detalhado e poderoso, capaz de dizer onde vai cair a bala de canhão ou como enviar uma sonda a Marte.

Para dar um exemplo mais recente, a teoria da relatividade é testada em cada tubo de raios catódicos, cada espectrometro de massa, cada vez que alguém usa GPS ou em muitos outros casos em que efeitos relativísticos são significativos. Entre 2003 e 2006 astrónomos de Universidade de Manchester recolheram observações de um pulsar duplo para testar esta teoria (2). Um pulsar duplo é um par de estrelas orbitando-se uma à outra, cada uma delas a rodar rapidamente e a emitir um feixe de radiação que só detectamos quando está apontado na nossa direcção. Dois «faróis» a rodopiar num campo gravítico muito forte e a grande velocidade é bom para testar os extremos das previsões de Einstein.

A distorção temporal devido à força gravítica, o atraso nos pulsos devido à distorção no espaço-tempo, o decaimento da órbita e outros valores medidos coincidiram com o que a teoria prevê. No caso do atraso dos pulsos (Shapiro Delay) o erro experimental foi de apenas 0.05%. É isto que devemos ter em conta. Medimos algo com 99.95% de precisão a dois mil anos luz de distância e o valor é o que a teoria prevê. E nos outros parâmetros também. E em todo o lado em que testamos a teoria é a mesma coisa. Ao fim de cem anos disto já não é preciso fé para confiar nesta teoria.

As teorias científicas modernas são modelos detalhados, rigorosos, com previsões exactas e constantemente testados. São o expoente máximo da compreensão humana, pois nunca criamos nada mais detalhado, mais rigoroso, nem mais capaz de prever como o universo funciona. De uma teoria científica podemos resumir certos princípios, como a sobrevivência dos mais aptos ou que a entropia num sistema isolado não diminui, mas estes são como dizer que Os Lusíadas é acerca de uma viagem.

Por isso engana-se quem julgar haver uma simetria entre a teoria do Big Bang e a hipótese que Deus criou o universo. O Big Bang é uma pequena parte de um modelo que prevê com exactidão imensas observações e que é constantemente posto à prova. Que Deus criou o universo é uma ideia vaga, desligada de qualquer outra coisa e sem capacidade de prever seja o que for ou sequer ser testada. É essa que exige fé.

Não é só uma ideia vaga: vem dum só livro escrito na Era Negra (a conhecida Dark Age).
É preciso ser-se corajoso (ou ignorante) para se ir na conversa. Mas lá está... Qnd fé é escolher acreditar, ter fé é ter a capacidade de acreditar até mesmo em mentiras.

2007-07-10

Como tudo começou!

Os religiosos vêem-se muitas vezes na posse duma Verdade altamente reconfortante (só se for para eles!): Deus (ou outro ser qualquer) criou o Universo.
A ideia brilhante e modesta de se achar que se define a origem de tudo a partir de um só livrinho (Bíblia, Corão e afins...) é fantasticamente brilhante.
É por isso que de vez em quando passo por um post como o que vou apresentar, e fico altamente feliz ao reafirmar a minha ideia de que os religiosos que acham que um deus criou o universo são realmente doidos... ou só ignorantes. Cá vai disto:

"Ao contrário.
Um leitor anónimo indicou um artigo no Sol sobre uma proposta para se ensinar criacionismo na Alemanha (1). A politiquice do costume. E esta treta mais uma vez, citando o deputado Norbert Geis:

«Ao chamar a atenção para o facto de que a bíblia atribui a criação do mundo a uma instância superior, é possível transmitir aos jovens que a ciência não pode garantir a última verdade»

Nada pode garantir isso. Durante mais de mil e quinhentos anos julgava-se que sim. A autoridade determinava a verdade. A Bíblia, Aristóteles, o Papa, os doutores da Igreja. Para saber alguma coisa consultava-se a autoridade. Uma vez que a autoridade desse a verdade última podia-se deduzir consequências com a lógica aristotélica, mas observações eram só a título de exemplo e de pouca importância. Aristóteles disse que as mulheres eram seres inferiores e tinham menos dentes. Se ele disse, era verdade. Ir contar só baralhava e era perda de tempo.

E foi a consultar livros bolorentos e senhores de idade que o Cristianismo fez avançar o conhecimento na Europa. Em 1586 trouxeram para a praça de São Pedro um obelisco que estava soterrado a poucas centenas de metros dali. Uma demonstração impressionante da tecnologia ao serviço da Igreja. Mil homens, dezenas de cavalos, gruas, e um Domenico Fontana nervosíssimo porque se aquilo corresse mal faziam-lhe a folha. Uma façanha sem igual desde o tempo dos romanos, que tinham trazido o obelisco do Egipto dezasseis séculos antes. Era o progresso.

Depois a coisa começou a dar para o torto. Afinal nem tudo orbitava à volta da Terra. Os planetas tinham órbitas elípticas e não circulares. Surgiam cometas e estrelas onde a autoridade afirmava ser tudo imutável. Cada vez era mais óbvia a treta da autoridade. Os descobrimentos e o lento progresso tecnológico por tentativa e erro (nunca a autoridade revelara como construir pontes ou caravelas) permitiram uma nova forma de compreender as coisas. Que tal virar o sistema ao contrário, perguntaram alguns como Galileu. Para ver se algo é verdade, experimentamos. Rolamos bolinhas, contamos o tempo, medimos os ângulos, e em três séculos temos internet e já fomos à Lua.

A maior descoberta foi que o mundo que nos rodeia tem muito mais informação que o umbigo. Mesmo que seja o umbigo de um santo ou de um filósofo. Mas alguns ainda insistem nesta treta da verdade última e na teologia como forma complementar de compreender. Não é. Usar a vassoura ao contrário não é uma forma complementar de varrer. É asneira. O cabo não varre nada e as cerdas só espalham pó. Derivar o conhecimento da autoridade é fazer as coisas ao contrário. É o conhecimento que obtemos por observação que nos dá autoridade para dizer o que é e o que não é.

Mas têm razão numa coisa. A ciência nunca dará a sensação de termos a verdade última. Essa sensação só vem da ignorância."
do blog Ktreta, escrito por Ludwig Kripphal

Com isto dito, peço obviamente desculpa se ofendo algum leitor, mas as verdades tem de ser ditas, e as mentiras, fé e superstição combatidas. A religião está errada, não dá sentido à vida, rouba tempo precioso a quem investe tempo nela (que podia usar p aprender coisas da maneira certa), é baseada em nada mais que palavras: está sim a ocupar espaço... nada mais. A sensação de que ajuda (e agora faço minhas as palavras do Ludwig:), essa vem da ignorância. :)

O resto não sabemos,
mas um dia talvez descubramos...
não hoje, nem amanhã: um dia.

2007-06-28

Religião e Lavagem Cerebral - Parte I

Bem, eu estava mesmo inclinado para escrever sobre a pena de morte neste post como teoria do dia, por assim dizer, mas fui interrompido com um assunto que me interessou mais e que acho merecedor de mais atenção.

Como alguns devem saber (principalmente os que me conheçam minimamente...), sou ateu anti-teísta ou ateu anti religião. Não anti religiosos, cuidado! No entanto, menciono isso apenas porque esta teoria (teoria do dia) tem muito a ver com a aderência de seres humanos às religiões.

Antes de fazer a ligação entre religião e lavagens cerebrais, vou poupar algum tempo e muita escrita, mostrando apenas 1 vídeo que não só vou juntar ao meu manifesto anti religião como vai complementar a minha teoria adicionando-lhe um gostinho mais agradável, além de lhe conferir também mais resistência a argumentos pro religião que vão ter pouco a dizer qnd se vê um vídeo assim:



Agora vou contar até 5 para dar tempo aos leitores de respirar fundo.
1...2...3...4...5! Já está.

A minha teoria é: nenhum ser humano adulto com uma capacidade de raciocínio mediana alguma vez aderirá a uma religião se só depois de adulto tiver o seu primeiro contacto com a religião em questão.
A excepção são os seres humanos com falta de modéstia.

Não estou a dizer com isto que os religiosos são todos arrogantes. O que quero dizer é que uma pessoa que quer ter 100 milhões de euros e tem 99, tem falta de dinheiro, no entanto, por ter falta de dinheiro não passa a ser pobre. É preciso manter a teoria limpa de más interpretações.
Aliás, eu nem devia temer nada de religiosos, pois eles são todos amor e carinho ao próximo e não se ofenderiam mesmo se interpretassem a frase com uma insinuação de arrogância por parte deles, mas a verdade é que se ofendem... vá-se lá entender!

Voltando ao vídeo e à justificação da minha teoria de hoje:
Eu não acredito que eu tenha sequer 1 leitor com pais religiosos que na idade da criança que aparece no vídeo não soubesse também quem era o menino Jesus ou Deus.
Só por si, isso prova que a esmagadora maioria de nós (eu era "religioso" naquela idade também!) é absorvida pela lavagem cerebral que é o contacto com a religião que nos é imposto pelos religiosos (nossos pais ou não!). É o resultado natural de não termos um espírito crítico maduro, nem capacidades de raciocínio típicas de um ser humano adulto. Estamos a caminhar para lá qnd nos apanham indefesos.

Alguns de nós escapam mais tarde à lavagem qnd têm contactos relevantes com a beleza da ciência experimental, teórica e tocável. Mal vemos àgua a evaporar numa aula de química e aprendemos a calcular matematicamente o tempo que demora, isso mostra a alguns de nós que há um plano qualquer que se pode aprender sem ter de meter joelhos no chão duma igreja, ou de repetir rezas antes de ir dormir. É só preciso pensar e aprender. Mais nada.

Aquilo que solidifica a religião num adulto, é a falta de modéstia à qual me referi mais atrás.
Se o adulto "lavado cerebral em criança" não tem contacto (ou não tem contacto suficiente) com a ciência, então o mundo, o universo, a química, a física, a biologia, enfim, a natureza e tudo o que pela ciência já se explica, vai parecer bem mais complexa para essa pessoa que para um estudante "oficial" da natureza, ou seja, alguém que não reza para aprender, mas que estuda, percebe, pensa por si, "faz exames" (ve testada as suas aprendizagens, portanto) e passa (e vê validado o objecto aprendido).

Qnd a falta de modéstia finalmente se manifesta, o resultado da lavagem cerebral manifesta-se em todo o seu poder em mil e uma variantes desta afirmação muito típica de não ateus:

"Tem de haver qualquer coisa superior.
A Natureza é demasiado complexa."

Tem de haver. Pq? Porque sim e nada mais. Pq a pessoa não gosta da ideia de que certas coisas são demasiado complexas para si. Que certas coisas eram complexas para os macacos, que certas coisas eram complexas para os homens primitivos, que certas coisas eram demasiado complexas para os gregos, para os romanos, e que certas coisas são demasiado complexas para toda a gente hoje, e que muitas outras serão sempre demasiado complexas para os seres humanos de amanhã, do século seguinte, etc.

Se (coisas) forem demasiado complexas para todos os religiosos que partilham da afirmação, então assim partilha-se um espírito de normalidade entre religiosos. Se o mundo já tivesse parado de evoluir não saíam carros melhores, não se usavam telemoveis mais potentes, e tudo já tinha estagnado. É assim que vêem o mundo amigos religiosos que partilham da tal frase mágica?
Os religiosos que partilham da ideia de que Deus tem de existir pq o Universo não pode vir do nada (que sabem eles sobre o Universo? Ou eu? Ou qq pessoa?) esquecem-se convenientemente de perguntar: "Se o Universo não pode vir do nada, será que Deus pode?". Deus sempre existiu, dizem alguns menos modestos que andaram com Deus na escola qnd Deus era pequenino. lol

Eu opto pela modéstia. Somos primitivos. Ainda não saímos da nossa colmeia que é o planeta terra. Ainda não voámos para lá da nossa colmeia. Somos larvas e ainda não temos asas.
O Universo? Bem, se eu fosse formiga aqui no chão de minha casa, faria sentido pensar na existência ou criação dum planeta Terra que nem sei que existe?
Exacto. É o único comportamento realmente sensato a ter: assumir que não sabemos e saber que vamos morrer não sabendo, tal e qual como a formiga morre sem dar uma volta à Terra para ver que é redonda ou que gira à volta do sol.
E se Deus faz coisas que é suposto a humanidade nunca perceber, então como é que sabemos isso? ;)

Espero que os meus leitores nunca lavem os cérebros a criancinhas, e que tenham o sentimento de respeito de falar sobre isso com elas tal e qual como falam de sexo, de impostos ou de política: na altura certa! Não se deixem cair na estupidez que é pensar que as crianças devem ter de saber da existência dum criador de tal universo (sim o que é demasiado complexo para vcs, pais, mas não para as vossas crianças). Depois deixem que eles escolham por si onde se encontra a verdade do Universo. Não passem por arrogantes ao pensar que sabem o que é o melhor para toda a gente, principalmente qnd se trata de religião. Se a religião estiver mesmo correcta (ahaha!), eles tornar-se-ão religiosos de qualquer maneira, não temam, respeitem. ;)

Já agora, e se não vos consegui fazer mudar de ideias,
leiam-lhes (e vcs tb) esta bíblia então. Vem com notas muito boas!
Continua...
NOTA: Fim da seccao de Posts. Para mais teorias, consultem a seccao dos Arquivos onde esta' o restante conteudo do blog organizado cronologicamente, ou, se preferirem, consulta as teorias por categoria na seccao das labels (labels estas, explicadas anteriormente na coluna principal do blog principal tsnacio.blogspot.com).