MINI GUIA: A coluna central contem os posts mais recentes. A primeira coluna lateral tem os links mais importantes aos leitores mais regulares. No fundo do blog, podem encontrar dicas variadas. Este blog e', portanto, um blog complementar ao blog principal.

2007-07-30

As pessoas são como são.

Ou não!...
A minha mãe sempre me disse "as pessoas são como são" e eu sempre torci o olho a ditados ou frases populares que nada dizem. Ela sempre me disse isso qnd eu era pequeno e lhe queria arranjar um email, familiarizá-la com a informática coisa de que ela fugia sempre com a tal frase mágica do são como são.
Hoje tem MSN, Google Talk, Skype, Google Calendar, Gmail e Firefox, PC no quarto, microfone, webcam e banda larga. São como são. ;)

Existem aquilo que chamo de "estandartes" em todas as teorias que por aí andam.
  • Os fumadores têm o seu estandarte (têm vários, aki fica um): A vida é curta, posso morrer atropelado já amanhã. Outro magnífico peido cerebral que discutirei noutro post.
  • O comunismo: tudo igual para todos. Pano para mangas...
  • A religião: Só quem tem Fé é que está no caminho certo. Ou seja, a prova que Deus existe é no fundo a decisão que tomas qnd decides acreditar. Pq? Pq sim, nada mais.
etc...

Como tudo o que requer compreensão antes de aceitação, em muitos aspectos da vida aceitamos os estandartes da lógica da tanga mais vezes do que devíamos, se calhar pq não dedicámos tempo suficiente em reflexão...

As pessoas são com são é o estandarte do quê, afinal?
Bem, pode ser o estandarte de mais que uma coisa, mas uma das quais é estandarte de certeza é do WT. Muitos sentir-se-ão tentados a dizer que é o estandarte da tolerância, mas não é. Tolerância é outra coisa completamente diferente, tem condições, circunstâncias... Se fosse, tb os psicólogos diriam aos doentes: amigo, és como és, acabou o tempo.

As pessoas são como são é o que por vezes dizemos qnd nos recusamos inconscientemente a olhar de frente algum problema que nos incomoda. É o néctar do WT. Nenhum campeão olímpico mostra a medalha de ouro e diz: As pessoas são como são. Treta: Esforço, treino, disciplina, isso sim, é a medalha de ouro. O mesmo será ouvido dum doutor, dum médico, dum engenheiro...

As pessoas não são como são.
Nada na vida é assim tão simples.

Aliás, a própria frase é um loop, um andar às voltas, um ser amarelado por ser amarelo, um ser quente por não ser frio, um ser isto por não ser aquilo, no fundo, dizer algo e não explicar nada.
É como dizer que está um dia lindo se me perguntarem pelo tempo. Então e se quem pergunta adora chuva e estiver sol? Será que está lindo? Como está o tempo é dizer que nuvens há no céu, vento, e que temperatura está, etc...

A frase "as pessoas são como são" é usada para quem não quer ou não sabe dizer mais nada perante a necessidade de defender uma falta de acção qualquer.

Essa falta de acção pode ser a decisão correcta. Em lado nenhum estou a dizer que a falta de acção é má. Estou a generalizar: se um mafioso me chamar maricas por não querer ir roubar um banco com ele, eu vou optar por falta de acção e dizer que sou como sou. Digo pq não tenho (ou não quero ou não sei) de dizer mais.

Mas a realidade é que as pessoas não são como são:
Não caiam na tanga e não se deixem levar pela frase. Soa bem mas não diz nada. Apela ao conformismo de uma maneira enganadora e mais nada:
Eu qnd era pequeno usava fraldas, hoje não uso e um dia se calhar usarei outra vez.
Já fui religioso e hoje não sou. Já fui ignorante numas coisas que hoje não sou. E já me tornei ignorante outra vez em coisas que me esqueci.
Se isto prova alguma coisa, é que as pessoas não são o que são, evoluem e mudam conforme queiram e conforme consigam, e na melhor das hipóteses são aquilo que nós pensamos que são. Cabe a cada um de nós descobrir o quão próximo estamos de saber quem é quem e como, e qnd é o quê.

Evoluir implica mudança, e evoluir sempre foi bom.
As experiências mudam as nossas vidas a toda a hora, moldam as opiniões que temos do mundo que nos rodeia, seja ele grande ou pequeno. Só quem não experiencia algo novo e se refugia na rotina não sofre a inevitável mudança até que lhe caia na cabeça à força (usar computadores ou ler e escrever são bons exemplos disso: hoje temos de saber fazer ambos, e amanhã teremos de o fazer ainda mais e melhor e quem acha que não vai ter de alinhar, alinhará à força.).
Mudar (embora exigente) está ao alcance de quem queira.

O mundo hoje muda e evolui mais depressa que ontem: Será que é bom ser como se é ontem, hoje e amanhã para que se diga: as pessoas são como são!? Bolas, não!
Quem não quer mudar é como é?
É irrelevante mas talvez seja. Mas se souber que devia e não muda então é só calansisse ou azar.

O resto ou é conversa ou ignorância.
A minha mãe não sabia do que falava, hoje sabe. ;)

2007-07-26

Copyright e Indignacoes!

O meu blog favorito tras-nos mais teorias para se pensar. Tenho de concordar com a barracada que sao as associacoes tais como RIAA e companhia. Eis pq:

O Ricardo Pinho (obrigado ao João Vasco pelo aviso) escreveu no Ensaio Geral (1):

«...investigações conjuntas da PJ e da ASAE tem resultado no encerramento de sítios nacionais de partilha ilegal de ficheiros protegidos por direitos de autor.
As reacções na blogosfera nacional, estranhamente, são de indignação contra as autoridades. [...]
Não me compete a mim explicar agora as vantagens da propriedade intelectual, e em como os direitos de autor são o garante da cultura da nossa civilização.»

Não é assim tão estranho. É que a blogosfera depende de ideias que não são tratadas como propriedade. Os protocolos de transmissão. O HTML e CSS. A própria ideia de fazer um blog. O Justin Hall não recebeu um cêntimo dos milhões de pessoas que copiaram a ideia dele. Pela propriedade intelectual haveria meia dúzia de blogocantos, e só para quem pagasse.

A nossa civilização também assenta em ideias que não são propriedade. A ciência. A política. A ética. A nossa cultura é essencialmente ideias que não são propriedade. O rock and roll, o barroco, a comédia, o impressionismo, as obras de Shakespeare e Heródoto, a ficção científica, o cinema. E já havia civilização e cultura antes da convenção de Berna em 1886.

Finalmente, a propriedade intelectual não é propriedade. Nem pode ser. A ideia ou é segredo ou é de todos. A minha casa é propriedade. Não podem usar um bocadinho dela para citação, não a podem usar gratuitamente para fins educativos, não passa a ser domínio público ao fim de um período, e não a podem usar à vontade para crítica ou sátira. Mas a ideia da minha casa não é propriedade.

O termo é enganador porque «propriedade intelectual» não tem nada a ver com ser dono de uma coisa. É uma miscelânea arbitrária de restrições. Não se pode copiar, excepto para uso pessoal. Pode-se vender em segunda mão se for um livro, mas não se for software. Pode-se cantar no duche mas não na rua. Pode-se partilhar a música com os amigos numa festa em casa mas não no clube recreativo.

E não se confunda civilização e cultura com aquela minúscula fatia que os tais direitos de autor abrangem e que, felizmente, deixa livre o mais importante. Mesmo se nos restringirmos à arte vemos que a verdadeira inovação não é protegida. Ninguém fica dono de um estilo novo ou de uma forma de expressão artística inovadora. Um Robert Leroy Johnson, para a propriedade intelectual, não vale mais que uma Mónica Sintra.

O Ricardo fala nas «vantagens da propriedade intelectual», mas não diz em relação a quê. Certamente melhor que um pontapé nas partes baixas, é ainda assim pior que muitas alternativas. Como não considerar crime a partilha de conteúdo digital para uso pessoal. A arte floresce da liberdade de expressão e de inspiração, e tem pouco a ganhar prendendo quem dela quer usufruir. À lei podemos dar melhor uso, porque há por aí coisas mais perigosas que miúdos a gravar DVDs. E não se iludam com a treta de incentivar a inovação recompensando quem vende mais cópias.

O que mais se pode dizer, nao acham?

Experienciar o q mesmo?

O Ludwig, no seu blog ktreta, deu mais uma chapadinha da religião.
Este foi mais um dos seus brilhantes posts, do qual eu faço minhas as palavras dele... mais ou menos. :)

Uma justificação para a fé religiosa é que não podemos ter evidências de algo que nos transcende, e por isso é necessário acreditar. Curiosamente, outra é precisamente o oposto: tem fé quem já sentiu a presença divina. O leitor que assina «NCD» comentou (1):

«ó Ludwig, o problema é que para quem viu os mamilos da lontra não vale a pena insistir na ideia que eles não existem.
Por muito estranho que isto possa parecer as pessoas que acreditam em Deus não o fazem porque os condicionaram a isso de uma forma ou de outra mas porque O experimentaram, [de] uma ou de outra forma.»

Mas a forma é quase sempre a que aprenderam em criança. A experiência dos Hindus não é Cristo, dos Muçulmanos não é Buda, dos Cristãos não é Allah. Mas há um problema mais fundamental. Para afirmar ter visto mamilos de lontra é preciso saber duas coisas: o que são lontras, e o que são mamilos. Por isso a quem diz ter tido uma experiência directa de deus pergunto: o que sabe desse deus para o reconhecer?

Não peço provas irrefutáveis. Peço apenas uma forma de distinguir entre sentir mesmo um deus ou julgar que se sentiu um deus mas ser engano, epilepsia no lobo temporal, ou outra coisa qualquer. E aqui costuma entrar a desculpa do amor: sentir deus é como estar apaixonado. Se estamos, sabemos o que é, e a quem não está não se pode explicar. É sempre comovente, esta explicação.

Mas não satisfaz. A paixão é um estado interno. Claro que senti-la diz-nos muito acerca do que sentimos. Mas considere-se tudo o que vem associado e que imaginamos acerca do objecto da nossa paixão. O seu carácter, a sua lealdade, a simpatia, como somos feitos um para o outro, e tantas outras coisas que, se nos fiarmos só na paixão, nos vão meter certamente em maus caminhos. Até a sua existência. Lembro-me, em miúdo, de estar apaixonado por uma princesa de um filme qualquer. A paixão era real. A princesa nem por isso.

«A experiência deles não lhe serve? O problema é seu. Não me verá tentar fazer nenhum ateu mudar de opinião. Já estive desse lado e sei que a mudança é pessoal. Mas não nos insultem.»

Mudar de opinião é pessoal. A questão é acerca do que justifica mudar ou manter uma opinião. Mas como não quero insultos proponho um acordo. Não me vou sentir insultado quando me disserem que por uma experiência pessoal se sabe que deus é Jahvé, teve um filho que era ele próprio, nasceu de uma virgem, morreu, ressuscitou, e entretanto o papa é infalível. Em contrapartida, não se ofendam se eu disser que isso é treta.

Obviamente que isto da Experiencia Religiosa tem muito que se lhe diga, e é por isso que há-de aparecer por aki a minha versão da história... muito parecida mas mais sarcástica! lol ;)

Emocao, Salva Vidas e WT

No post anterior em que falei de WT (wishful thinking), negligenciei propositadamente a emocao (o post ficava mto grande). Previlegeei a logica, e hoje vou tentar explicar porque. Nao acho que a Emocao seja inutil, acho-a tao importante qnt a logica, mas cada coisa no seu lugar. Nestas coisas, e' muito dificil arranjar um preto no branco generico. Talvez exista um preto no branco para cada um de nos... Para os mais destemidos amantes da logica talvez. ;)

A minha teoria de hoje e' sobre a Emocao.
A emocao, segundo uma definicao bem geral, e' um impulso neuronal que move um organismo para a accao.
Por outras palavras, e' algo que sentimos dentro de nos e que nos leva a fazer ou a querer fazer determinada(s) coisa(s).
Qnd vemos um cachorrinho pequeno a dar as primeiras passadas, todos nos, mais ou menos sabemos reconhecer a emocao que nos leva a querer toca-lo e protege-lo. Nao direi que se trata duma emocao, mas direi que se trata de varias.

No post sobre WT, a logica foi a grande vencedora.
Se eu vir um leao pequenino recem nascido, tb tenho vontade de o tocar e proteger. O certo certo e' que se o pai leao ou a mae leoa la estiverem a olhar para mim, eu vou mandar as minhas emocoes darem uma volta e fico mas e' na minha. A mais simples das logicas juntas com algum Discovery Channel fazem a maravilha da sobrevivencia, que caso contrario daria resultados desastrosos, ja para nao dizer magnificamente estupidos.

Mas isto quer dizer que tudo no mundo deve ser vivido apos filtrar e avaliar logicamente toda e qualquer emocao?

Em principio sim, mas nao :) :
Eu acho que a emocao e' uma logica (simples, basica e incompleta) que esta' impressa em nos, humanos, e no nosso ADN como mecanismo de sobrevivencia que hoje em dia nao funciona (o mecanismo) da mesma maneira que precisava funcionar qnd essas emocoes foram impressas no nosso ADN.
Umas vezes atendemos demais 'a emocao, outras em falta. Qnd sentimos que algo nao esta' bem e nao sabemos bem pq, normalmente e' pq nao esta'. E' no descobrir que esta' o segredo.
A raiva (emocao) que sentimos por quem nos agride, a satisfacao (emocao) que sentimos por quem nos satisfaz, tudo sao maneiras de nos fazerem agir para nosso bem, e raramente para nosso mal.

E' a (ma') racionalizacao das emocoes e dos seus significados, e as suas falhas na logica do seu raciocinio que por vezes nos levam a acertar bem longe do alvo no que toca a decisoes, por vezes acertando mesmo no pe':
Ver alguem a ser-nos infiel e achar que a pessoa depois muda, mesmo que ja nem seja a primeira ou segunda vez que isso acontece, etc, tudo isso sao tiros ao lado. Tiros que acertariam bem no alvo se deixassemos a pura das logicas funcionar.

Bem, isso, e um esforco enorme gasto a combater o WT que esta' sempre metido ao barulho nas decisoes erradas tomadas por impulso.
As emocoes tem origens logicas. Essa e' a minha teoria, pois as consequencias emocionais de quem nao gosta de logica tb sao bem pesadas e notaveis na vida desse tipo de pessoas.

Como pessoa racional que gosto de pensar que sou, o meu conselho e': sejam racionais, mas nao metam a emocao de lado. Misturem tudo o melhor possivel, e aprendam a meter o WT no lixo. O resto vem naturalmente.

2007-07-25

Wishful Thinking

Wishful Thinking (WT), e' qnd damos por nos a racionalizar coisas de modo a tentar trazer a solucao ideal a determinado problema de encontro 'as nossas atitudes correntes em vez do contrario: mudar as nossas atitudes para ir de encontro 'a solucao ideal. Nao e' so' isto exclusivamente, mas e' sobre esta parte do WT que quero tentar fazer aki a minha teoria do dia.

Exemplo:
1. Fumar faz mal.
2. Eu fumo.
3. Eu faco mal (a mim proprio e a outros).

Perante isto, e' facil perceber que a proposicao 3, e' uma deducao logica (e por isso correcta) da proposicao 1 e 2. Quem estudou logica ou mesmo filosofia de Secundario deve ou deveria saber isto. Ainda assim, pessoas com um bom senso realmente bom, tb conseguem la' chegar.

Depois vem o WT no seu melhor:
4. Fumar de vez em qnd nao faz mal.
5. Eu so fumo qnd quero.
6. Quem esta' mal que se mude.
... e a lista do resultado do WT continua e em nunca na lista de um pensador adepto do WT aparece "vou deixar de fumar ja".

Aparece sempre:
"Um dia, deixo de fumar..."
"Na passagem de ano..."
"Qnd acabar o curso..." (pq estudar stressa mas trabalho e' canja)
etc etc... E amanha e' sempre um mau dia para deixar.

O verdadeiro fa de WT tem sempre sempre mas sempre uma razao (originada pela arte de WT) pronta a justificar a falta de accao.

Eu tb sofro de WT. Felizmente so quem nao sofre de WT nas areas onde eu sofro me relembra de vez em qnd que estou a meter a pata na poca. A esses amigos, um obrigado!
Mas isso nao me impede de vir aki declarar guerra ao WT. ;)

Mas donde e' que esta teoria nasceu?
Nasceu da minha necessidade de aproximar os amigos uns dos outros incentivando-os a usar ferramentas que facilitam a gestao de tempo (tempo esse que eles proprios se queixam de nao ter), para que sobre algum para as amizades.
Qnd tento, encontro sempre montes de WT a tentar racionalizar que nao ha "vontade" ou "tempo" para fazer algo concreto. Vale mais deixar como esta'. Um dia faz-se... Hoje nao ha' tempo. Tecla-se qnd der, a vida esta' dificil, casados e com filhos, e a lista aqui tb continua.

(0. Desperdicar e' mandar fora aquilo que ainda tem utilidade.)
1. Evitar desperdicio mantem-nos com mais daquilo que iamos desperdicar.
2. Gestao evita desperdicios.
3. Google Calendar gere tempo.
4. Eu tenho falta de tempo.
5. ?

A proposicao 1 e' verdadeira. A 2 tb e' verdadeira. A 3 e' verdadeira. E o resto? Ca' vai:
Se se aplicar a vcs a proposicao 4 e o objectivo for encontrar uma solucao 'a falta de tempo, qual sera' a 5 se nao se usar WT? ;)

2007-07-24

A maior estupidez humana!

Curtam a pinta desta personagem!



O homem tb tem a sua versão dos 10 mandamentos.
Ambos os vídeos já adicionados ao manifesto! ;)

2007-07-23

Anti-Religiao

Uma vez compilei um conjunto de videos ao qual chamei de Manifesto Anti Religiao.
A religiao nao e' uma coisa boa:



Clicar no botao "menu" da acesso a todos os videos desse manifesto adicionados por mim (ou passar o rato no video enquanto toca). Mais virao conforme eu me va cruzando com eles.

Ja conta com 13 videos esta brincadeira!

O Tarot e' para tarados.

Palavras para q? Perola do dia:

"Lastima
Um leitor anónimo comentou recentemente num post sobre o tarot (1);

«Que grande lastima! Cada vez que venho cá encontro uns artigos que dão lastima. Como alguém pode ser tão céptico, desta maneira. Não acredita que há qualquer coisa de bom neste universo? Tudo é mau? Não acredita em nada?
[...sinto p]ena de ver gente tão limitada.»

Agradeço a preocupação, mas é desnecessária. Acredito que há coisas boas, nem tudo para mim é mau. Acredito numas coisas e não noutras. E dou-me bem com as minhas limitações. Não é preciso ter pena ou lastimar a minha situação.

Acontece é que reconheço como modesto o impacto da minha crença ou descrença. Por crer numa mentira consigo apenas enganar-me; não tenho o poder de a tornar verdade só de acreditar. E se duvido de uma verdade não a torno menos verdadeira. A minha dúvida não faz mossa. Posso crer. Posso descrer. O universo não se importa.

Isto é libertador. É um alívio. Não tenho medo de pensar, de duvidar, de colocar perguntas ou tentar compreender as coisas por mim. Nem me sinto obrigado a acreditar. A realidade resiste à dúvida, e nunca vou estragar nada só por falta de crença. Posso ter a opinião que quiser sem que tudo fique uma lástima, e posso mudar de opinião sempre que encontrar uma melhor.

E as crenças dão-mas os outros. Só a dúvida é que é minha. É a dúvida que me diz que sou eu quem manda na minha mente. Não garanto que seja o segredo da felicidade. Se não acreditar em mim, óptimo. É mesmo isso. Mas é melhor que fiar-se nas cartas. Aproveito para citar novamente Niels Bohr:

«Truth is something that we can attempt to doubt, and then perhaps, after much exertion, discover that part of the doubt is unjustified.»

E o resto é treta.

1- Eu, 9-6-07, Treta da Semana: Tarot. "

Mto bom!

2007-07-21

E se não for?

Um dos meus blogs favoritos de todos os tempos, o ktreta, de Ludwig Kripphal, tinha esta pérola magnífica num dos posts recentes:

"A reacção animada ao último post (1) trouxe novamente à tona a confusão entre dois tipos diferentes de crença. Eu nunca vi mamilos de lontra, mas creio que as lontras os têm. Alguns crentes dirão que isto prova que o conhecimento científico é igualzinho à fé religiosa. Uns crêem nos mamilos de lontra sem nunca os terem visto, outros crêem em deuses sem nunca os terem visto. É a mesmíssima coisa.

Só que não. Uma grande diferença é a atitude perante a possibilidade de erro. E se não for como eu penso? Se procurar na lontra toda e não vir vestígio de mamilos mudo de ideias. Não vou postular mamilos invisíveis, transcendentes, metafísicos. Nem mamilos omnipotentes a saltar para as costas da lontra quando lhe examino o ventre, testando a minha fé no Mamilo. Se não tem, não tem. Mudo de crença. Agora perguntem ao crente religioso como ele encara a possibilidade de se enganar. E se não existirem deuses? Como é que sabe? É mamilos invisíveis até onde a vista alcança...

A fé é uma forma imatura de saber. Partilha com o último a parte da crença, de aceitar uma proposição como verdadeira. Mas fica-se por aí. Falta-lhe o mais importante: razões e a capacidade de se corrigir. A fé é julgar que se sabe, mas sem se saber como e sem perceber que as coisas podem não ser como se julga."

Quem sabe sabe... depois há quem pensa que sabe. ;) Magnífico.

2007-07-10

Como tudo começou!

Os religiosos vêem-se muitas vezes na posse duma Verdade altamente reconfortante (só se for para eles!): Deus (ou outro ser qualquer) criou o Universo.
A ideia brilhante e modesta de se achar que se define a origem de tudo a partir de um só livrinho (Bíblia, Corão e afins...) é fantasticamente brilhante.
É por isso que de vez em quando passo por um post como o que vou apresentar, e fico altamente feliz ao reafirmar a minha ideia de que os religiosos que acham que um deus criou o universo são realmente doidos... ou só ignorantes. Cá vai disto:

"Ao contrário.
Um leitor anónimo indicou um artigo no Sol sobre uma proposta para se ensinar criacionismo na Alemanha (1). A politiquice do costume. E esta treta mais uma vez, citando o deputado Norbert Geis:

«Ao chamar a atenção para o facto de que a bíblia atribui a criação do mundo a uma instância superior, é possível transmitir aos jovens que a ciência não pode garantir a última verdade»

Nada pode garantir isso. Durante mais de mil e quinhentos anos julgava-se que sim. A autoridade determinava a verdade. A Bíblia, Aristóteles, o Papa, os doutores da Igreja. Para saber alguma coisa consultava-se a autoridade. Uma vez que a autoridade desse a verdade última podia-se deduzir consequências com a lógica aristotélica, mas observações eram só a título de exemplo e de pouca importância. Aristóteles disse que as mulheres eram seres inferiores e tinham menos dentes. Se ele disse, era verdade. Ir contar só baralhava e era perda de tempo.

E foi a consultar livros bolorentos e senhores de idade que o Cristianismo fez avançar o conhecimento na Europa. Em 1586 trouxeram para a praça de São Pedro um obelisco que estava soterrado a poucas centenas de metros dali. Uma demonstração impressionante da tecnologia ao serviço da Igreja. Mil homens, dezenas de cavalos, gruas, e um Domenico Fontana nervosíssimo porque se aquilo corresse mal faziam-lhe a folha. Uma façanha sem igual desde o tempo dos romanos, que tinham trazido o obelisco do Egipto dezasseis séculos antes. Era o progresso.

Depois a coisa começou a dar para o torto. Afinal nem tudo orbitava à volta da Terra. Os planetas tinham órbitas elípticas e não circulares. Surgiam cometas e estrelas onde a autoridade afirmava ser tudo imutável. Cada vez era mais óbvia a treta da autoridade. Os descobrimentos e o lento progresso tecnológico por tentativa e erro (nunca a autoridade revelara como construir pontes ou caravelas) permitiram uma nova forma de compreender as coisas. Que tal virar o sistema ao contrário, perguntaram alguns como Galileu. Para ver se algo é verdade, experimentamos. Rolamos bolinhas, contamos o tempo, medimos os ângulos, e em três séculos temos internet e já fomos à Lua.

A maior descoberta foi que o mundo que nos rodeia tem muito mais informação que o umbigo. Mesmo que seja o umbigo de um santo ou de um filósofo. Mas alguns ainda insistem nesta treta da verdade última e na teologia como forma complementar de compreender. Não é. Usar a vassoura ao contrário não é uma forma complementar de varrer. É asneira. O cabo não varre nada e as cerdas só espalham pó. Derivar o conhecimento da autoridade é fazer as coisas ao contrário. É o conhecimento que obtemos por observação que nos dá autoridade para dizer o que é e o que não é.

Mas têm razão numa coisa. A ciência nunca dará a sensação de termos a verdade última. Essa sensação só vem da ignorância."
do blog Ktreta, escrito por Ludwig Kripphal

Com isto dito, peço obviamente desculpa se ofendo algum leitor, mas as verdades tem de ser ditas, e as mentiras, fé e superstição combatidas. A religião está errada, não dá sentido à vida, rouba tempo precioso a quem investe tempo nela (que podia usar p aprender coisas da maneira certa), é baseada em nada mais que palavras: está sim a ocupar espaço... nada mais. A sensação de que ajuda (e agora faço minhas as palavras do Ludwig:), essa vem da ignorância. :)

O resto não sabemos,
mas um dia talvez descubramos...
não hoje, nem amanhã: um dia.

Instinto Canino Duvidoso...

Hoje estou a martelar um assunto relacionado com os instintos animais.
O meu super cao tem um comportamento que precisei presenciar algumas vezes (demorou a topar mas aconteceu) ate' que me senti tentado a tentar criar uma teoria para este comportamento:

Estava o meu cao estendido no chao a curtir da boa vida qnd se ouvem 2 belos peidos, curtos e discretos dados precisamente pelo Harlie, o cao.

Espantado (ou talvez nao), o cao levanta-se e investiga o orificio com todo aquele olfacto potente que e' sabido os caes terem.

Pq sera' que o cao precisa analisar tal evento daquela maneira? Sera' que os caes se apercebem de falhas na dieta pelo cheiro dos seus escapes? Ou sera' uma simples e estupida interrogacao do estilo "Mas que raio foi isto?". Desta aventura, sai a minha incompleta teoria: Deve ser uma destas duas. ;)

2007-07-03

A velocidade da Sociedade - Part I

Eu gosto de apreciar o meu tempo livre. O mundo tem demasiadas coisas magnificas e e' frustrante nao poder contemplar mais mesmo que tivesse todo o tempo do mundo nas minhas maos. Saber tudo e' impossivel, mas no meu caso, saber tudo o que eu gostava de saber tb o e'. Tempo livre e' relativo se o nosso trabalho for o nosso divertimento, mas normalmente nao e'.
'As vezes penso no como se chegou ao quase standard das 8 horas de trabalho por dia.
Penso nisso, e penso tb no quao injusto e' viver a juventude a crescer pessoal e profissionalmente para so' poder usufruir disso plenamente qnd se e' velho, reformado e sem a vitalidade de outros tempos. Sim, curte-se a vida sempre (dai ter usado a palavra "plenamente"), mas com 8 horas de trabalho diarias durante a maior parte do ano, algum tempo tem de ser "perdido" e nunca aproveitado do ponto de vista do lazer.

A teoria do dia gira um pouco 'a volta disto.
Sera' que se o mundo inteiro cortasse o dia de trabalho a meio (assim como os custos, etc...), passasse uma lei mundial que obrigasse toda a gente a trabalhar metade do que trabalha, seriamos mais felizes como raca humana que somos?
Teriamos mais tempo para ajudar o tal proximo que nunca ajudamos? Teriamos mais tempo para estarmos a par do mundo, dos mais necessitados, da natureza, de todos os filmes, livros, jogos, websites que gostamos, etc? Se calhar nao.

E' certo que mundo perderia momento, evoluiriamos a metade da velocidade que evoluimos hoje, e muitas coisas abrandariam notavelmente.
O outro angulo e': entao mas e se o mundo continuar a acelerar? Sera' que vamos passar a viver a nossa vida ainda menos (para o bem da sociedade e todos os que usufruem do produto do "nosso" trabalho), e a trabalhar cada vez mais? Estar-nos-emos a tornar escravos das nossas proprias criacoes? Sendo eu materialista nem devia perguntar tal coisa, mas e' um tema que me preocupa sempre. Sera que os meus descendentes um dia vao ter de se auto educar pq os seus pais vivem ao triplo da velocidade dos pais de hoje e necessitam portanto do triplo do tempo tendo de deixar a educacao 'a responsabilidade de outra pessoa ou outra coisa?

A questao principal talvez seja:
Temos nos hoje o equilibrio ideal entre trabalho e lazer?
Acho que nao. Acho que os pais de hoje em dia tem menos tempo para estar com os filhos e educar decentemente outro ser humano, ter um dos pais (antigamente a mae) a ser educador(a) a tempo inteiro e' coisa do passado, toda a gente quer ter carreiras, e assusta-me pensar que se calhar nao andamos a marcar bem o passo.
Gosto de progresso, de evolucao (detesto Criacionismos! lol), mas nao consigo deixar de ser realista: parece-me que vamos em excesso de velocidade. Para qnd e' o despiste? Sera' possivel ja' nos termos despistado sem dar por isso?

Fica a pergunta:
Qual gostavas que fosse o teu standard?
NOTA: Fim da seccao de Posts. Para mais teorias, consultem a seccao dos Arquivos onde esta' o restante conteudo do blog organizado cronologicamente, ou, se preferirem, consulta as teorias por categoria na seccao das labels (labels estas, explicadas anteriormente na coluna principal do blog principal tsnacio.blogspot.com).