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2007-07-30

As pessoas são como são.

Ou não!...
A minha mãe sempre me disse "as pessoas são como são" e eu sempre torci o olho a ditados ou frases populares que nada dizem. Ela sempre me disse isso qnd eu era pequeno e lhe queria arranjar um email, familiarizá-la com a informática coisa de que ela fugia sempre com a tal frase mágica do são como são.
Hoje tem MSN, Google Talk, Skype, Google Calendar, Gmail e Firefox, PC no quarto, microfone, webcam e banda larga. São como são. ;)

Existem aquilo que chamo de "estandartes" em todas as teorias que por aí andam.
  • Os fumadores têm o seu estandarte (têm vários, aki fica um): A vida é curta, posso morrer atropelado já amanhã. Outro magnífico peido cerebral que discutirei noutro post.
  • O comunismo: tudo igual para todos. Pano para mangas...
  • A religião: Só quem tem Fé é que está no caminho certo. Ou seja, a prova que Deus existe é no fundo a decisão que tomas qnd decides acreditar. Pq? Pq sim, nada mais.
etc...

Como tudo o que requer compreensão antes de aceitação, em muitos aspectos da vida aceitamos os estandartes da lógica da tanga mais vezes do que devíamos, se calhar pq não dedicámos tempo suficiente em reflexão...

As pessoas são com são é o estandarte do quê, afinal?
Bem, pode ser o estandarte de mais que uma coisa, mas uma das quais é estandarte de certeza é do WT. Muitos sentir-se-ão tentados a dizer que é o estandarte da tolerância, mas não é. Tolerância é outra coisa completamente diferente, tem condições, circunstâncias... Se fosse, tb os psicólogos diriam aos doentes: amigo, és como és, acabou o tempo.

As pessoas são como são é o que por vezes dizemos qnd nos recusamos inconscientemente a olhar de frente algum problema que nos incomoda. É o néctar do WT. Nenhum campeão olímpico mostra a medalha de ouro e diz: As pessoas são como são. Treta: Esforço, treino, disciplina, isso sim, é a medalha de ouro. O mesmo será ouvido dum doutor, dum médico, dum engenheiro...

As pessoas não são como são.
Nada na vida é assim tão simples.

Aliás, a própria frase é um loop, um andar às voltas, um ser amarelado por ser amarelo, um ser quente por não ser frio, um ser isto por não ser aquilo, no fundo, dizer algo e não explicar nada.
É como dizer que está um dia lindo se me perguntarem pelo tempo. Então e se quem pergunta adora chuva e estiver sol? Será que está lindo? Como está o tempo é dizer que nuvens há no céu, vento, e que temperatura está, etc...

A frase "as pessoas são como são" é usada para quem não quer ou não sabe dizer mais nada perante a necessidade de defender uma falta de acção qualquer.

Essa falta de acção pode ser a decisão correcta. Em lado nenhum estou a dizer que a falta de acção é má. Estou a generalizar: se um mafioso me chamar maricas por não querer ir roubar um banco com ele, eu vou optar por falta de acção e dizer que sou como sou. Digo pq não tenho (ou não quero ou não sei) de dizer mais.

Mas a realidade é que as pessoas não são como são:
Não caiam na tanga e não se deixem levar pela frase. Soa bem mas não diz nada. Apela ao conformismo de uma maneira enganadora e mais nada:
Eu qnd era pequeno usava fraldas, hoje não uso e um dia se calhar usarei outra vez.
Já fui religioso e hoje não sou. Já fui ignorante numas coisas que hoje não sou. E já me tornei ignorante outra vez em coisas que me esqueci.
Se isto prova alguma coisa, é que as pessoas não são o que são, evoluem e mudam conforme queiram e conforme consigam, e na melhor das hipóteses são aquilo que nós pensamos que são. Cabe a cada um de nós descobrir o quão próximo estamos de saber quem é quem e como, e qnd é o quê.

Evoluir implica mudança, e evoluir sempre foi bom.
As experiências mudam as nossas vidas a toda a hora, moldam as opiniões que temos do mundo que nos rodeia, seja ele grande ou pequeno. Só quem não experiencia algo novo e se refugia na rotina não sofre a inevitável mudança até que lhe caia na cabeça à força (usar computadores ou ler e escrever são bons exemplos disso: hoje temos de saber fazer ambos, e amanhã teremos de o fazer ainda mais e melhor e quem acha que não vai ter de alinhar, alinhará à força.).
Mudar (embora exigente) está ao alcance de quem queira.

O mundo hoje muda e evolui mais depressa que ontem: Será que é bom ser como se é ontem, hoje e amanhã para que se diga: as pessoas são como são!? Bolas, não!
Quem não quer mudar é como é?
É irrelevante mas talvez seja. Mas se souber que devia e não muda então é só calansisse ou azar.

O resto ou é conversa ou ignorância.
A minha mãe não sabia do que falava, hoje sabe. ;)

7 comentários:

Anónimo disse...

"A frase "as pessoas são como são" é usada para quem não quer ou não sabe dizer mais nada perante a necessidade de defender uma falta de acção qualquer."

Obrigada. Sim, sei q foste buscar isto a algo q te disse.

A partir daí não li mais. Respondendo da mesma forma, tu também és como és: tens a tua maneira de ser e a mania de mandar estas bocas às pessoas q não concordam contigo.

Tsnacio disse...

Tu tb tens a mania de deixar as conversas a meio ou de so ler metade dum post qnd nao concordas com o que les. Certo? ;)

Acho q qnd se estuda comunicacao, deve haver la algo que ensina a malta a nao comunicar a meio, a nao ler so meias respostas, ou a travar a conversa no interesse de "ficar cada um na sua". WT ;)

Nao sei, eu tou ca' p teclar.
[o resto ta no post]
Beijoca.

Anónimo disse...

Essa da comunicação foi pretexto para uma gargalhada, penso que deves manter-te pela informática ;)

Sim, estudo e trabalho comunicação, pelo que posso fazer uma análise muito interessante sobre a forma de comunicação a qualquer pessoa.

Deves ter reparado que não respondi directamente ao teu post, mas sim à forma como disseste as coisas. Logo, não deixei nada a meio.

A assertividade é uma grande virtude, mas há pessoas menos virtuosas que outras. Em termos relacionais/sociais, é natural que o ouvinte não esteja disponível a conversar sobre algo quando o comunicador não sabe comunicar convenientemente. Utilizo o termo "convenientemente" porque falar é fácil. Mas comunicar não. Para isso, torna-se necessário adaptar a comunicação aos ouvintes; é entendê-los; é saber explicitar o seu ponto de vista de forma clara, sucinta quando necessário, num tom não agressivo; é não adquirir um tom demasiado comercial (persuasivo). É isto e muito mais.

Se este post refere que há coisas "que são só conversa" ou que reflectem ignorância, é natural que qualquer resposta que surja possa ser desviante. Sei que acreditas piamente em tudo aquilo que defendes e, aliás, penso que defendes muito bem os teus pontos de vista, mas não dás espaço a que as pessoas discordem. No momento em que fizerem isso, estão a dar só conversa ou a demonstrar a sua ignorância. Por mais fundamentos que apresentem, sabem que será uma tarefa praticamente impossível dissuadir-te do teu ponto de vista. Aliás, sabes que o silêncio também é uma forma de comunicação?

A comunicação humana não é simples, porque as pessoas não são simples.

Bjinhos

Tsnacio disse...

Ah que deu gargalhada deu.
Adorei o comentario, antencao, e por tua causa agora tenho mais perguntas:

Dizes: "não respondi directamente ao teu post, mas sim à forma como disseste as coisas. Logo, não deixei nada a meio."

Bem, se respondes 'a maneira de como falei de falta de accao sem ler o post todo, entao acontecem destas:

Criticaste isto:
"A frase "as pessoas são como são" é usada para quem não quer ou não sabe dizer mais nada perante a necessidade de defender uma falta de acção qualquer."

Qnd na linha a seguir, sim em letras pequenas, vinha isto:
"Essa falta de acção pode ser a decisão correcta. Em lado nenhum estou a dizer que a falta de acção é má."

Em lado nenhum disse que aquilo que criticaste e' bom ou mau. Erro de comunicacao. Tu estudas comunicacao, tinhas de ouvir algo sobre isso, claro. ;) Nao fez absolutamente sentido nenhum, principalmente qnd a frase que criticaste dizia: "quem nao quer ou nao sabe". Se achas q o silencio e' meio de comunicacao, entao nao quiseste, sabias. ;)

A assertividade pode ser uma grande virtude mas e' um conceito relativo e tem sempre contextos 'a mistura. Eu nao sou mto fa disso. Prefiro ir direito ao assunto, chamar as coisas pelos nomes e se der barraca, pedir desculpa por estar errado e continuar a conversa. Pq? Eu trato de postar sobre a assertividade no meu proximo post, pq ha mais coisas a dizer que acho que merecem post, nao comentario. :)

Depois vem a parte do teu comentario que eu curti bue, e entretanto dizes:
"não dás espaço a que as pessoas discordem."
Isso esta' errado, ou melhor, no meu caso julgo estar:
Dou espaco, estou disposto a debater o assunto, e o link para comentar nao se gasta.

Agora se me perguntares se acho q as pessoas sem argumentos (ou sem paciencia) desistem cedo, ah isso digo-te ja que sim.
So nao da espaco para discordar quem nao deixa que as respostas ou mais perguntas surjam. Eu deixo. So nao discorda quem nao quer, mas q vou ser exigente a quem nao sabe discordar, isso sempre!

So acha que e' impossivel dissuadir alguem quem sabe que nao tem maneira de o fazer. Os casos excepcao sao os que involvam lavagens cerebrais de mtos anos, tipo religiao e tal, ou a estupidez (incapacidade de pensar logicamente)...

Eu ja me senti impossibilitado de dissuadir alguem. Simplesmente nao consegui quebrar a mais simples das barreiras: a logica. O meu professor de logica de certeza que tinha conseguido fazer isso.
Contigo 'as vezes sinto isso, mas sei que se continuarmos chegamos sempre a qualquer lado. Mesmo que seja a cada um estar na sua legitima posicao.

O Silencio ser uma forma de comunicacao?
Discordo profundamente se nao tivermos em conta quem sabe linguagem gestual.
"Quem cala consente" e' mais uma daquelas merdas que a cultura popular cuspiu. Quem estiver distraido ou seja surdo consente tudo, ora que perola.
Por negligencia 'a logica, aparecem no mundo tais maneiras de pensar.
Infelizmente, discordo do silencio ser uma forma de comunicacao, mas sei que e' (ainda) verdade. Tenho e' razoes logicas para demonstrar que e' tanga.
Mais outro post sobre isso, um dia destes...

Num blog de teorias, vais-me fazer escrever muito.
Ainda bem! Beijoca!

Anónimo disse...

Pois é bebé, esta lembra-me as nossas conversas intermináveis no Big Waves sobre o Universo e outros tantos assuntos que dão pano para mangas ;)

Na minha opinião (porque cada pessoa tem as suas características únicas - cada um é como é ;) ), a assertividade é uma grande virtude. Esta virtude pode ser um bom instrumento para manter qualquer tipo de conversação saudável. Vejamos, há pessoas mais susceptíveis que outras. Se dizemos aquilo que nos apetece da forma que nos apetece, é natural que aja quem não goste e que tenha uma reacção um tanto ou quanto inesperada (agressão, fuga, etc.). Como tal, defendo que tudo pode ser dito, mas adaptado a quem se diz. "Ok, ele magoa-se se eu chamar estagnados aqueles que ainda usam o messenger (os outros são os evoluídos, topaste a dica?), por isso vou evitar esse termo e arranjar outro qualquer". Há quem educação a isso, há quem chame outra coisa qualquer, eu chamo-lhe assertividade.

Vendo bem, a comunicação saudável e eficaz só poderá acontecer se o emissor e o receptor estiverem em concordância: o tom, os termos e a linguagem deve ser a mesma. Caso sejamos pouco assertivos, estamos a fazer com que o receptor se afaste ou se desvie do tema e perca a vontade de comunicar (o meu caso no primeiro comment deste post). Neste caso, não foi uma questão de fuga, mas sim de falta de paciência para essas tretas (viste a minha falta de assertividade aqui? Foi de propósito ;) ).

Quanto ao silêncio ser uma forma de comunicação... É. Não é preciso ser um expert em comunicação para se saber isso. Não me refiro ao "quem cala consente" ou "o silêncio é a melhor resposta"; isso são frases feitas para justificar muita coisa. Contudo, a última tem um pingo de verdade. Para te mostrar porquê, tenho de fazer uma pequena introdução a outro tema. O público (as massas, as pessoas) tem um determinado padrão de comportamento. Hás-de reparar que há reacções que fazem parte das pessoas; são acções tão simples como "quem tem sono boceja" ou "quem não sabe as horas olha para o relógio, para o céu ou pergunta".

Se te sentes agredido tens reacções básicas que te permitem a fuga ou a luta (e ainda a indiferença). Se tens dúvidas, ou perguntas, ou pesquisas ou ficas na ignorância. Já pensaste que quem se cala pode não estar a desistir? Não. Não poderá estar simplesmente sem vontade de falar? Ou se calhar a exibir o seu desagrado. Ou provavelmente com vontade de dar uma resposta torta, embora tenha fechado a boca para evitar confrontos.

Nesta altura (e hoje é o meu dia de escrever que me farto), apresento-te um conceito muito interessante com o qual não sei se estás familiarizado (deves estar se segues o meu blog): a semiótica.

Imaginas que estamos sentados frente a frente. Temos uma garrafa de coca-cola com o rótulo virado para mim. Numa situação extrema, poderíamos estar a discutir aquilo que cada um vê: eu vejo a marca, tu não. Para mim é coca-cola, para ti não é nada. Conclusão: vemos o mesmo sobre diferentes perspectivas. É neste momento que a semiótica entra. O seu objectivo é equilibrar o mundo à nossa volta, evitando que formemos estereótipos na nossa mente. Como? Simples.

Numa aula de Semiologia e Semiótica, foi-nos mostrado um quadro de uma rapariga de costas para nós, apenas com uma toalha à sua volta e a olhar para trás (para nós). O que é que aquilo significa? Houve quem dissesse que ela era atrevida, outra que disse que ela era tímida, um que disse que tinha saído do banho, outro que disse que estava a preparar-se para o duche... Enfim... Uma ideia por pessoa. Qual a interpretação final do quadro, afinal? Nenhuma. Aliás, todas e nenhuma. Era tudo aquilo que nós quiséssemos.

Segundo esta teoria (aconselho-te a ler Ferdinand de Saussure), esta é a forma mais imparcial de se olhar para o mundo. Consegues terminar o exercício quando não chegas a conclusão nenhuma: quando não é bonito nem feio, perto nem longe. Olha que não é fácil. Conclusão: Tudo é relativo. Tudo depende de pessoa para pessoa. Aliás, às vezes até varia "dentro" da mesma pessoa, porque os pensamentos e circunstâncias se alteram e/ou evoluem com o passar do tempo.

Isto para te dizer que o silêncio para ti pode significar a fuga à conversa ou que a assertividade "é pão para malucos". Mas lá está: tu não és eu e eu não sou outro qualquer. É como a história do messenger: tu odeia-lo, a mim satisfaz minimamente as minhas necessidades (p.f. não faças mais um testamento sobre o messenger ;) vou instalar o skype qd voltar a ter net em casa - está prometido).

Tu és tu, com as tuas emoções, necessidades, vontades, ideais... E eu também tenho isso tudo, em função de quem sou.

Não sei bem até que ponto concordas com o comment, mas tenho a certeza que gostaste imenso e que aprendeste imensas coisas novas hahah

Bjocas!

Tsnacio disse...

Epa' nao pares nunca de largar por aki (pelo blog em geral) os teus comentarios. Isto assim e' que da' pica.

Concordo com praticamente tudo, mas nao vou entrar em detalhes pq nao discordo muito dakilo com que nao concordo plenamente. :D E' que senao nunca mais saimos daki... e vem ai mais posts... :)

Ja nao odeio o MSN... desde que passou a ter mensagens offline que se instalou a indiferenca e se acabou o odio (da minha parte, claro). Ainda acho q nao se deva usar... lol
E fica o assunto por aki, pronto... lol

E claro, aprendi mais umas coisas.
Nao sabia que isso era Semiotica.
Andava la perto na minha cabeca... lol.
Mas se calhar nao tinha os RSS's do teu blog pq nao me lembro de posts sobre isso, ou entao estava num post com um titulo diferente e passou-me... Enfim...

Beijocas e vamos a mais posts...

Anónimo disse...

É bom quando o trabalho nos dá algum descanso por breves minutos; nesses momentos navego na blogosfera e mergulho em alguns posts ;)

Bjinhos

NOTA: Fim da seccao de Posts. Para mais teorias, consultem a seccao dos Arquivos onde esta' o restante conteudo do blog organizado cronologicamente, ou, se preferirem, consulta as teorias por categoria na seccao das labels (labels estas, explicadas anteriormente na coluna principal do blog principal tsnacio.blogspot.com).